domingo, 1 de agosto de 2010

Felipe Ikeda Catrini

Felipe Ikeda Catrini

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Data de nascimento:
10/05/1991

Natural de: São Paulo – SP

Signo: Touro

Bio: Livros. Essa é a paixão de Felipe. Ávido leitor de tudo o que encontra pela frente, de HQs a clássicos literários. Sonha em ser um escritor conhecido. Filho de uma descendente de japoneses e de um descendente de italianos, adora o cabelo liso que herdou da mãe. Morou a vida toda em São Paulo e não tem irmãos. Aprendeu a tocar um pouco de bateria durante a adolescência, mas nunca teve a chance de praticar já que não tinha dinheiro pra comprar uma. A família é de classe média/baixa, seus pais sempre lutaram pra pagar os estudos, incluindo um ano de cursinho pré-vestibular, que resultou numa vaga em universidade pública, bem longe de casa, infelizmente. É solitário e não gosta de confiar demais nas pessoas, assim como só vai a festas quando os amigos insistem. Fã de grunge, punk e um pouco de J-Rock também (apesar de não saber falar japonês).

Motivo por ter escolhido Tradução: Pensou em cursar Letras, mas dar aulas estava fora de seus planos. Quando ficou sabendo da existência de um curso de Tradução na Unesp, se interessou imediatamente e após checar a grade curricular decidiu que era esse que iria tentar. Quando terminou o terceiro ano do Ensino Médio prestou o vestibular mas não passou, o que o levou a fazer um ano de cursinho. Como dito, seu sonho é ser escritor, mas agora também pensa em atuar como tradutor literário, traduzindo seus ídolos.

Línguas: Inglês e Italiano

Cor favorita: Roxo

Filme favorito: Dogville

Música favorita: Pearl Jam – Jeremy

Felipe por Felipe: “Literatura é uma das coisas que eu mais gosto na vida, além de música e cinema. Foi muito difícil pra mim não ter passado no vestibular a primeira vez, meu pai e minha mãe tiveram que sacrificar um bom dinheiro pra me pagar um cursinho e eu não quero que tenha sido em vão. Planejava ficar numa república, mas o campus de Rio Preto tem uma moradia, o que já alivia um pouco. Vou sentir falta dos meus dois huskies siberianos, Vlad e Mina, mas pelo menos vou poder ver eles nas férias. Acho que no geral sou uma pessoa bem tranquila, não gosto de incomodar ninguém... nem de ser incomodado. Minha mãe diz que eu sempre fui fechado, desde pequeno não gostava de brincar com muita gente. No final, os livros eram meus amigos mais próximos. É assim até hoje.”

terça-feira, 27 de julho de 2010

Diferenças

                 Dizem que a primeira impressão é como uma foto:

depois de tirada, não se muda.

Acho que naquela época não existia imaginação e canetinhas.



                Deus, não que você exista, claro, mas se está mesmo aí, só numa possibilidade remota, por favor... Me tira daqui.


                 - Quer dizer que você é de Rio Preto. Ai isso é tão loser... Morar com os pais é tenso demais.


               As palavras saíam entre baforadas de cigarro barato. Nada contra fumantes, sabe? Quer fuder com a própria vida, o problema não é meu. Só tenta não me levar junto, por gentileza.


                 - Eu gosto de morar com os meus pais. Eles são bem de boa. Na verdade, o meu pai mesmo eu quase não vejo, e minha mãe é de boa.

                - De boa o bastante pra te deixar ir na Mixed com a gente?

    - De boa o bastante para conversar comigo a respeito.

                - Conversar com pais não é pra mim.


                 Dessa vez era a moça baixinha falando. Sorridente desde o primeiro momento. Não tão falante quanto o senhor Maria Fumaça, mas não sei... Me fez sentir confortável.

               

                - Tô te achando muito caladinha bixete. A gente não morde não, só se pedir. Hahahaha

                - Imagina. Só tô me sentindo meio tensa. É tão diferente do que imaginei.

                - E tinha imaginado o quê? Um filme norte-americano barato com lideres de torcida e jogadores de futebol americano? *outra baforada*

 

                Na verdade, imaginei pessoas mais educadas e menos intrometidas.

 

                - Não sei...

 

Me arrumei um pouco no banco pra tentar demonstrar o meu desconforto, mas ninguém notou.

 

                - Jéssica! Chega aí.

 

                Aquele moço (qual era o nome mesmo? Ah! Bruno) veio rapidinho e me puxou pelo braço. Antes que me desse conta estava perto de um coreto, no meio da pracinha central.

 

                - Nossa... Obrigada.

                - Tava meio tenso lá, né?

                - Muito... Eu detesto cigarro. E que papo estranho...

                - Eu percebi de longe que você tava precisando de ajuda. Não deu pra ignorar.

                - Que bom. Valeu mesmo...

                - Tá me devendo uma, em?

                - Sim *sorriso*. Pago com juros.

                - Não precisa, é só sair comigo hoje a noite que tá tudo certo, que tal?

 

                Sair?

 

                - Han... Pra onde?

                - Um lugar chamado Chalé. As veteranas disseram que é aqui perto. Vamo lá entornar o caneco! #aloka

                - Tá... Vou ver se posso. Você me pegou meio de surpresa.

                - Sou cheio de surpresas. Quer descobrir?

                - *corando*

                - Hahahaha. Brinks. Como você é tímida. Eu brinco assim com as minhas amigas, tá? Vê se te acostuma.

                - Uhum...

                - Então... Me passa seu celular pra eu te ligar mais tarde e combinarmos a saída, Miss Caladona.

                - Tudo bem.

 

                Passei meu número pra ele e vice-versa. Agora é só esperar pelo Chalé.

           

 

Pessoal! Primeiro eu queria me desculpar pela demora em postar. Estava viajando, depois tive algumas coisas do estágio na Unesp pra resolver... Mas acabou dando tudo certo, não é? Aqui vai mais um capítulo da história pra vocês.

Em segundo lugar, gostaria mesmo de agradecer a todos que estão lendo o blog e nos visitando constantemente. Sério... É muito importante pra mim e sei que pro Caio também. Não é a toa que já passamos da casa dos 500! Nunca esperei por um número assim, e significa muito.

Continuem lendo e comentando se possível. Valeu!!!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Olá, mundo

Não, mãe, não tá frio por aqui. Nem um pouco, acredite. Ai, depois te ligo, tá super movimentado aqui. Beeijo.
Desliguei o celular e me levantei. Impossível falar ao telefone no meio do pessoal, principalmente quando aquelas engenheiras ficam tocando funk e dançando com uma galinha de borracha. Super diver, by the way. Tô amando <3
— Bixo, chegou uma colega sua!
É ela?
Sou eu. ^^
Prazer, sou o Bruno! :D
Jéssica.
Que sorriso lindinho. Ela devia mostrar mais esse rosto perdido entre tanto cabelo…
Você é daqui mesmo?
Há, quem dera. Sou de uma cidade da qual você provavelmente nunca ouviu falar a menos que seja uma bandeirante.
É tão longe assim? O.o
Longe nem é, mas é uó. Mococa. Como o leite condensado. É quase em Minas… perto de Ribeirão Preto, São José do Rio Pardo. ¬¬
Nunca tinha ouvido falar…
Sorte sua. ;D

Nisso chegou um emo. Brinks, era um cara bonitão até. Meio com cara de tonto e tal, mas pegável.
Aqui é a mesa da Tradução?
É sim. Você é da Trad também?
Sou. Iago.
Bruno e Jéssica, seus futuros colegas. ^^
Oi…
Oi... E o que eu faço agora?
Conversa lá com a Marina e a Carol que elas te ajudam.
Valeu.

Meio lacônico, não?
E você é de onde, Jéssica?
Ah, sou de Rio Preto. Moro com minha família.
Hum, é prático. Meio depressivo, mas prático.
É, família é sempre meio tenso…
Adoro a minha, mas morar sozinho é muito amor *-*
Você vai ficar em república?
Não sei ainda. Provavelmente sim. ^^
Como assim? Você não arrumou lugar pra ficar ainda? O.o
Ah, conheci o pessoal pela internet antes. Pedi abrigo e me deram. :D Disseram que sempre arrumam lugar pro pessoal ficar até que arrumem rep, moradia, cafetina, etc.
Que legal!
Mas pouco me importo. Estando aqui, tá ótemo.
O Iago já foi embora? Que cara mais lost…

Chegaram mais pessoas, veteranas acho, e cortaram nossa conversa pra conhecerem a Jéssica. Já tinha conversado com elas pelo orkut e não fui com a cara, então nem fiquei de papo. Vou lá com a Marina e a Carol.
A primeira festa é no começo das aulas, né, meninas?
— Chopada dos Bixos? Claaro!
Adoooro!
— Já tá querendo beber, é, bixo?
Não só isso… hohoho
— Safadiiinho. Tá certo, tem que aproveitar mesmo.
Irei.
A Marina é gostosinha… quem sabe?
E você, Marina, é solteira?
— Que bixo assanhado!
Sou mesmo. Há.
— Juro que achei que você era gay…
Então...
— Você é ou não?!
Ai, não faz pergunta difícil! XD
— Bi?
Eu pego quem me dar vontade, ponto.
— Jesus… mas esse curso não nega a fama…
Mas você é solteira ou não? (6)
— Sou! Seu biscate.. XD
Depois a gente discorre sobre isso então ;)
— Hahauhauha… te adorei, Bru — disse Carol.
Calma que tem pra você também, linda ;D

Como é bom não precisar ficar preocupado com as véia da cidade comentando. Alegria eterna poder pegar geral! *-*
— A gente podia ir beber depois.
Aonde?
— Tem o Chalé…
Não sei o quê nem onde é, mas se tem bebida, é digno.
— Vê se a bixete lá, a…
Jéssica.
— Isso! Vê se a Jéssica quer ir também.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Bruno Schenker

Bruno Schenker

Male hairstyles
Data de nascimento:
14/02/1992

Natural de: Mococa – SP

Signo: Aquário

Bio: Com pouco menos de 70.000 habitantes, Mococa sempre foi pequena demais para Bruno. Tem vontade de visitar todas as grandes metrópoles globais e ser um cidadão do mundo. Totalmente moderno e urbano, adorava visitar seus parentes em Campinas e detestava ter que voltar para a pequena cidade. É bissexual e só a mãe e o irmão sabem, nunca contou para seu pai. Falando em família, é o que ele mais ama no mundo: a mãe que sempre o apoia em tudo, o irmão mais velho que acabou de se casar e o pai, policial militar. Festeiro como ninguém, adora uma balada, bebida e gente linda. Claro que nunca farreia perto da família. A faculdade, bem distante de todos que o conhecem, é a oportunidade perfeita pra viver a vida.

Motivo por ter escolhido Tradução: Segundo ele: “É longe de Mococa, é na Unesp e falar várias línguas é um luxo.” Como é muito inteligente, passou num dos primeiros lugares.

Línguas: Francês e Italiano

Cor favorita: Branco

Filme favorito: Chicago

Música favorita: Copacabana Club – Just Do It

Bruno por Bruno: “Tá, sou de Mococa, cidadezinha no ** do mundo, graças a deus consegui sair de lá e morar sozinho. Bom, não inteiramente sozinho, mas deu pra entender, né? Hum... eu quero aproveitar ao máximo a faculdade, ir a todas as festas que eu puder e conhecer pessoas de vários lugares. Vou fazer francês e italiano, porque... né? Não tem coisa mais linda que francês e italiano. Que mais? Ah sim, tô solteiro!”

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O despertador e a despertada

Existe tempo? Não. Existe lembrança.


- Isso é o despertador? Droga...

Desligou o aparelhinho de cabeceira, virou de lado e voltou a dormir. Tentava lembrar porque fez a idiotice de programar o despertador em plenas férias.

                “Merda!”. Vieram as pecinhas se encaixando na sua cabeça dorminhoca. “É hoje!”

Levantou voando, como se as sandálias de Hermes estivessem nos seus pés. É bem do feitio de Jéssica esse tipo de ansiedade. A matrícula duraria o dia todo e ainda eram só oito da manhã, mas “eu preciso chegar cedo eu preciso chegar cedo eu preciso chegar cedo...”. 

- Filha, que foi?

- Oi mãe. Hoje é a matrícula e eu tô com muita pressa pra chegar lá.  Você pode me levar?

- Claro. O que vai querer como café da manhã?

- Sei lá... Pode ser qualquer coisa.

- Vou fazer ovos mexidos com pão francês que você tanto gosta. – mamãe sorria. Posso saber o porquê dessa pressa toda?

- Como assim por quê? – Jéssica fez aquela carinha clássica de fora de sintonia. Mãe... A matrícula é hoje! E começa as oito. Não posso me atrasar...

- Eu vi no jornal que dura o dia todo, certo?

- Sim, mas eu preciso chegar cedo.

- Por quê? 

Eu odeio quando ela faz isso. Não dá pra entender essa habilidade anormal de levar as pessoas exatamente para o beco sem saída que ela pretende! Ardilosa e maquiavélica, é isso o que ela é. Não sei como minha mãe não fez direito. Seria uma ótima advogada. 

- Porque eu quero, mãe.

- Vamos fazer um acordo: você se arruma direitinho, como a mocinha boazinha que é, toma o seu café e eu te levo na faculdade. Prometo não ficar pra ver sua matrícula se você não quiser.

- Mas mãe...

- Se quiser ir a pé pode ir, mas quer apostar como você chega ainda mais tarde? Mesmo se pegar o ônibus. 

É isso o que dá morar do outro lado da cidade. Jéssica pensava em ceder enquanto estudava com o dedo da mão direita uma espinha que nasceu inexplicavelmente da noite pro dia no seu queixo. Não que fizesse muita diferença, é claro. 

- Hunf... Ok ok. Sem demora pro café então, em dona Neide! – disse enquanto tocava a mãe do quarto com passinhos curtos.

- Vai se arrumar. E quero te ver bonita em?

- Tá... Whatever... 

Jogou-se novamente na cama e olhou para os adesivos de estrelas que brilham no escuro colados no teto, agora todos branquinhos e tristes, recarregando sua beleza com a luz da manhã. O pai lhe tinha dado de presente no aniversário de 12 anos logo que chegou de uma de suas viagens. Jéssica tem o costume de repetir que aqueles adesivos são os únicos presentes bons que o pai lhe dera desde que nascera. Ela ama olhar para as estrelinhas no escuro, brilhando verde-fantasmagórico, enquanto pega no sono.

Fechou os olhos e começou a imaginar como seria a faculdade. Quantas pessoas bonitas, maduras e gentis ela encontraria. Finalmente chegara à época mais importante de sua vida, e sabia disso muito bem.

E se não gostassem dela? Ah... Alguém terá de gostar, certo? É a ordem comum das coisas. Mas e se não gostarem... 

Pensaria nisso depois. 

“Bom, vamos vestir a farda.” Tirou a grande e velha camiseta preta do Blind Guardian que costumava usar pra dormir e correu pro banheiro ligar o chuveiro. Tomou um banho rápido, vestiu a calça jeans surrada e a sua melhor camisa, uma xadrez de azul com cinza. Queria estar apresentável ao máximo.

Olhou-se no espelho e viu seu rosto bonito, emoldurado pelo cabelo desgrenhado e volumoso. 

- Bom dia, eu. 

Chegou mais perto, para poder ver melhor a espinha. 

- Bom dia, pequena coisa vermelha e asquerosa. 

Virou de costas e foi para a cozinha, já sentindo o cheiro delicioso de ovos mexidos. 

 

-Que foi? – falava fofo, com a boca cheia.

- Nada... – respondeu a mãe – só estou admirando você no seu primeiro dia como universitária. Tanta coisa vai mudar na sua vida a partir de agora, filha.

- Ué *pausa pra engolir*, eu sei disso. Só que relaxa vai. É só a matrícula.

- É... É só a matrícula 

 

Como os automóveis são maravilhosos. Em pouco tempo, já estava parada ali, na frente do lugar onde passaria a maior parte dos seus próximos quatro anos. O lugar onde faria amigos pra vida toda. É. Como os automóveis são maravilhosos. 

- Oi. – disse um moço alto e magro, com o cabelo bem curto e olhos grandes, acordando-a do estado de transe em que estava. Bixete?

- Oi. 

Jéssica precisou olhar pra cima. “Que moço mais alto”, pensou consigo mesma. Ele usava um par de havaianas enormes e óculos de bordas pretas. 

- Sim, sou bixete sim.

- Qual curso?

- Tradução.

- Ah... Por um momento achei que você era minha bixete

- Qual curso você faz?

- Computação.

- E por que achou que eu seria da computação?

- Ah... – ele sorria. Esquece. Já fez a matrícula ou tá chegando agora?

- Chegando... – suspirou. Minha mãe me enrolou em casa.

- Mães. Tentar lutar é energia desperdiçada.

- Eu que o diga...

- Se quiser, posso te levar até o Auditório A, onde estão fazendo a matrícula do pessoal.

- Eu adoraria. 

Que moço legal. Acho que já tive sorte com um novo amigo. Que bom...

 

Enquanto andava, Jéssica não podia evitar: tentava olhar para todos os lados ao mesmo tempo. Como era lindo! Nunca havia entrado no Ibilce, apesar de saber que podia se quisesse. Sentia como se não pertencesse àquele lugar e arrepiava-se só de passar em frente. Agora o futuro dela dependia daqueles prédios baixos e ao mesmo tempo majestosos. 

Uma pirâmide azul de vidro sobre um prédio a direita e a biblioteca é ali a esquerda vou viver enfurnada lá dentro será que vou conseguir estudar onde não conheço bem onde será que é esse auditório A o que eles vão perguntar será que eu trouxe os documentos... 

- Ei. Tá ouvindo?

- Sim... Desculpa. É que tenho muito que assimilar... Minha cabeça não para – sorriu, envergonhada.

- Eu entendo. Já fui bixo lembra?

- É né? E como foi?

- Uma loucura. – ele ria alto e grave. Como é seu nome mesmo, bixete?

- Jéssica.

- Lindo nome. Você faz jus a ele. 

Foi uma cantada? 

- Han... *corando* Obrigada. E o seu? Qual é?

- Marcelo, mas pode me chamar de Celão se quiser. Todo mundo me chama assim.

- Eu prefiro Marcelo.

- Hahahaha... Tudo bem. Bom, o Bloco A é aquele da frente e o auditório é virando na primeira à direita. Vou encontrar um pessoal. Não vai se perder, viu bixete? Boa sorte.

- Obrigada. Vou precisar dela, eu acho.

- Sorte nunca é demais, não é mesmo?

- Se é. 

Com certeza não me perderia mesmo se ele não tivesse mostrado o caminho. Tudo parece tão bem sinalizado... Me pergunto se ele já não estava com outras intenções... 

Por fim chegou ao prédio principal, fez a matrícula e assinalou as línguas que já escolhera desde o terceiro colegial. Sentia-se acomodada no meio daquele pessoal barulhento que parecia ignorá-la por completo. Já estava acostumada e ficar sozinha no meio da multidão.

Foi guiada para uma moça morena e bonita, veterana de tradução:

- Oi bixete! Bem vinda ao Ibilce! – sorri de uma forma forçada... Não sei se confio nela...

- Oi.

- Vem comigo. Vou te levar na mesa do centro acadêmico pra você conhecer o pessoal. 

Enquanto a veterana ia saltitante na frente, Jéssica se detinha nos detalhes: várias mesas estavam organizadas ao longo do caminho, cada uma ou com um cartaz atrás, indicando a que curso pertencia o pessoal, outras como uma faixa, algumas ainda com aparelhos grandes de som.

Que coisa estranha. Não um estranho ruim, só estou me sentindo estrangeira aqui. Deve ser normal.

A mesa da tradução estava emoldurada por um mural repleto de palavras de boas vindas e outras coisas curiosas nas quatro línguas: inglês, francês, italiano e espanhol. Ela deu uma olhada espantada para os integrantes da banca, uma moça loira e muito bonita, usando óculos escuros presos no cabelo liso, maquiagem leve e um top preto, e uma ruiva de cabelos cacheados, que logo começou: 

- Olá Bixete!

- Oi.

- Olha, nós somos o CATRA, Centro acadêmico de Tradução. Vamos ser os representantes dos alunos de tradução diante do diretório, da diretoria e dos órgãos colegiados, mas o que significa tudo isso você vai aprendendo com o tempo, ok?

- Sim.

- Eu sou a Carol e essa é a Marina.

- Oi Bixete, muito prazer. – a loira apertou sua mão e sorriu. Jéssica sorriu de volta e enrubesceu.

- Bom, agora vamos aos negócios, certo? 

A ruiva apresentou um kit-bixo para que eu comprasse com camiseta, chaveiro e outros badulaques. Era legal, mas a camiseta poderia ser mais bonita. Claro, queria que o mundo soubesse que estava numa faculdade estadual. Comprei sem pestanejar e já me filiei ao CATRA. Pensava se um dia até não poderia entrar para o centro... 

- É isso bixete. Tá dispensada, ou se preferir pode se sentar ali com o seu amigo bixo. Ele decidiu ficar com a gente e esperar os colegas chegarem. 

Até então nem tinha reparado no mocinho de canto...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Jéssica Cabonetti

Jéssica Cabonetti

Data de nascimento: 07/12/1991

Natural de: São José do Rio Preto – SP

Signo: Sagitário

Bio: Jéssica sempre foi de poucos e bons amigos e muitos por vezes não tão bons livros. Viveu a vida com uma meta simples: viajar. Detesta se sentir presa a algo, seja o que for. Não liga muito para a aparência e sempre foi chamada de “meninão” pelos seus amigos, quase todos homens, visto que não se dá muito bem no meio feminino. Seu jeito meio andrógeno de ser trouxe certo preconceito, que foi acentuado pelo fato inegável de ser a pessoa mais fechada possível. Com um pai ausente e uma mãe amorosa e preocupada, Jéssica ama animais. Crescer numa família religiosa como a sua sendo uma crítica ferrenha da religião como um todo não tem sido uma tarefa fácil para ela. Sua descendência italiana é óbvia graças ao tipo físico e sobrenome, mas sua família na maioria das vezes sequer se lembra disso. Tem seus defeitos acentuados pelo jeito genioso de ser. Costuma incomodar muito mais que acomodar. Nunca namorou, e os poucos amores de sua vida não foram recíprocos. Por pura falta de sorte e nervosismo não passou direto no vestibular de tradução, que escolheu por causa das línguas. Depois de um ano de cursinho conseguiu uma ótima colocação. Não gosta muito de inglês e acha “perda de tempo se aprofundar numa língua que todo mundo sabe”. Faz francês desde os nove anos. Perdeu o irmão mais velho com 12 anos num acidente e nunca se recuperou...

Cor favorita: Azul escuro

Filme favorito: A sociedade dos poetas mortos

Livro Favorito: Stephen King – O iluminado

Música favorita: Evanescence – Bring Me to Life

Jéssica por Jéssica: “Sei lá... Sou eu mesma e me sinto bem assim. Não gosto de definições. Sou um ser - humano, e é parte de nós não sermos limitados de forma tão simples em tão poucas linhas.”

terça-feira, 13 de julho de 2010

Matrícula

Era um oito de fevereiro como qualquer outro para Iago, a não ser pelo fato que tinha que se matricular na Unesp, claro.
Quando foi a divulgação dos resultados? Há uma semana? Ah, tanto faz, o melhor para ele tinha sido a comemoração no Vila Dionísio mesmo. Iria sentir falta do pessoal do cursinho que não conseguiu passar, mas pelo menos veria eles de vez em quando. Como a matrícula durava a manhã e a tarde toda, poderia dormir mais um pouco.
— Iago!! — sua mãe gritou da cozinha.
Fala...
— Filho, você não vai lá na faculdade fazer a matrícula?
Depois.
— A Paulinha já tá aqui te esperando.
Eu não acredito... — murmurou — Tá legal. Já vou descer.
Cambaleou em direção à porta e quando abriu a namorada já estava lá.
— Bom diiia, amor!
Um mar de cabelos louros cegou Iago e um par de braços se dependurou em seu pescoço, como de costume. Ela era linda, sem dúvida alguma, mas a voz fina demais irritava quando ouvida em excesso. Os olhos verdes fixaram-se no rosto semi-barbado de Iago, que estava totalmente amassado pela longa noite de sono.
Bom dia — e sorriu com os cabelos caindo nos olhos.
— Vamos, a gente toma café-da-manhã juntos e depois, direto pro Ibilce!
Claro, claro. Só deixa eu tomar um banho.
Quarenta minutos depois (trinta para o banho, dez para o cabelo), Iago desceu, tomou café, despediu-se da mãe e da irmã e pegou a chave do carro.
Não vou demorar.
— Imagina, filho, é o dia da matrícula, pode ficar lá se quiser.
Não sei. O pai ligou?
— Não.
Hum... beleza.

Ibilce, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas. Esse é o nome do campus da Unesp em São José do Rio Preto e como a maioria das pessoas o chama. Não era nada de novo para Iago, que por morar na cidade, vez ou outra passava lá perto.
— Amor, você sabe onde é a matrícula?
Eu pergunto na portaria.
O porteiro informou que a matrícula era feita no Auditório A, à direita do saguão. Depois de estacionar, falou para Paulinha esperar no carro, o que ela prontamente ignorou e foi atrás dele tagarelando sobre a própria vida.
Entraram no saguão principal; só então Iago tomou consciência de que era uma universidade e que ele era um aluno. Caiu a ficha.
Cara, é a Unesp...
— Claro que é, bobo. Vem, é por aqui. — e puxou Iago pelo braço.
Foi ela quem arrastou Iago, mas logo reconheceu uma amiga e deixou o namorado sozinho em direção ao saguão.
Passou por várias cabeças raspadas até o auditório onde se preenchia uma ficha, depois se mostravam documentos e dali para os veteranos. Mas quando da vez de Iago, a pessoa que estava organizando pediu que escolhesse as línguas que iria cursar.
A gente tem que escolher agora?
— Sim, é só marcar as línguas que pretende fazer e, dependendo da sua posição, você é matriculado nas disciplinas dela.
Espera... depende da posição?
— É. Alunos que tiveram melhor qualificação no vestibular preenchem as vagas primeiro. Se você marcar “italiano” por exemplo, e as vagas já tiverem sido preenchidas, você é matriculado no espanhol.
Sério? Eu só sabia do negócio da língua primária e secundária... Que tem que escolher entre inglês ou francês e espanhol ou italiano...
— Exato, mas as vagas são preenchidas de acordo com a classificação, como eu disse. Se não sobrar vaga, você é matriculado na outra língua.
E eu não fui bem no vestibular pra ajudar...
Sentiu medo de não conseguir o espanhol que tanto lhe interessava.
— Seus documentos.... Iago. Bonito nome, como em Otelo.
Não, é como em Aladdin mesmo.
Marcou inglês e espanhol e torceu para que houvesse vaga. Quando saiu, estava num corredor de frente para o coreto, onde há várias árvores e banquinhos. Rapidamente foi abordado por pessoas perguntado seu curso, quando respondeu que era da Tradução, indicaram uma mesa onde estavam duas garotas que aparentavam ter sua idade (veteranas, provavelmente), um cara e uma menina mais novos. Ele se aproximou.

 

 

Comentários:

Olá ^-^
Gostaria de dar umas poucas palavrinhas por aqui.
Primeiro, quero agradecer todo mundo que tem incentivado e lido, o blog é feito pra vocês! :D
Segundo, a ficha de personagem que postei logo antes (se não viu, corre
) dividiu opiniões :P
Eu planejei os posts assim: Ficha do Iago + Post do Iago; Jéssica; Ficha do XXX + Post do XXX; Jéssica; Ficha do YYY + Post do YYY; Jéssica; Post do Iago; Jéssica; Post do XXX; Jéssica; Post do YYY; (VOTAÇÃO); Jéssica; (Post do ganhador da votação); (…)
Então, desculpe se preferiam a ficha depois, mas eu escolhi postar antes pra dar um backgroud e uma base para os leitores :3
Terceiro, a foto. Coloquei uma foto como referência somente. Aquele não é o Iago, é um cara qualquer de uma foto qualquer, só está lá para que possam ter uma noção de como o Iago é ^-^
Se não gostaram, ignorem a foto ;)

É isso, muito obrigado novamente.
Agora é com o Pepê! \o/

 

PS: Acharam mesmo que eu ia revelar os nomes dos outros, é? Aguaaaardem ;D